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Porto Alegre, 06 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.569


Balança de lácteos: janeiro registra aumento mensal do déficit, mas melhora no ano a ano

Janeiro marcou um aumento do déficit da balança de lácteos frente a dezembro, mas com sinais de menor pressão no comparativo anual. O cenário reforça a importância do câmbio, da oferta interna e do mercado internacional para 2026.

O saldo da balança comercial de lácteos iniciou o ano atingindo um déficit de 169,2 milhões de litros em equivalente-leite, o que representa um aumento de 9% no déficit frente ao mês de dezembro de 2025. Na comparação com janeiro de 2025, no entanto, observa-se um recuo de 14% no saldo negativo.

Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

As exportações de lácteos totalizaram 4,2 milhões de litros em equivalente-leite no mês, registrando queda de 16,4% em relação a dezembro e ficando 11% abaixo do volume exportado em janeiro do ano passado.

Gráfico 2. Exportações em equivalente-leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

Já as importações avançaram 8,1% frente ao último mês de 2025, alcançando 173,4 milhões de litros, embora ainda apresentem retração de 14% na comparação anual.

Gráfico 3. Importações em equivalente-leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado a partir dos dados da COMEXSTAT.

Em janeiro, as exportações de lácteos apresentaram movimentos distintos entre os principais produtos:

Soro de leite: principal item da pauta exportadora brasileira, apresentou recuo de 31% no volume exportado, interrompendo uma sequência de altas observada nos meses anteriores;

Leite condensado: após meses de crescimento, registrou queda de 11% nos embarques;

Creme de leite: após sucessivos recuos, apresentou forte recuperação, com aumento de 52% nas exportações frente a dezembro;

Leite em pó desnatado e leite evaporado: ainda com participação reduzida no total exportado, mas com crescimento percentual relevante no volume embarcado no mês.

No campo das importações, os principais movimentos observados foram:

Leite em pó integral (LPI): após dois meses consecutivos de queda, voltou a apresentar crescimento, com avanço de 23% no volume importado frente a dezembro;

Leite em pó desnatado (LPD): segundo principal produto da pauta de importações, manteve a tendência de retração e registrou queda de 22% no volume importado em janeiro.

As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

Tabela 1. Balança comercial de lácteos em janeiro de 2026

Tabela 2. Balança comercial de lácteos em dezembro de 2025

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT. 

O que podemos esperar para os próximos meses?
O mercado brasileiro de lácteos tende a operar ao longo de 2026 com boa disponibilidade interna de produto, refletindo a expectativa de manutenção de uma produção elevada no país. Esse cenário pode contribuir para reduzir o ritmo das importações ao longo do ano e, em alguns momentos, abrir espaço para o avanço das exportações, ainda que de forma pontual e concentrada em alguns produtos. (Milkpoint)


Sistema FIERGS inclui projetos prioritários para a indústria gaúcha em agenda legislativa da CNI

O Seminário de Construção da Agenda Legislativa da Indústria 2026, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), definiu as prioridades legislativas da indústria para este ano. O Sistema FIERGS participou do encontro, com coordenadores e equipes técnicas dos conselhos temáticos, nesta terça (3) e quarta-feira (4), na sede da entidade.

Ao longo do seminário, foram apreciadas 572 preposições de interesse da indústria, das quais 147 foram incluídas e debatidas em seminário realizado pela CNI, com a presença de 27 federações estaduais e 112 associações setoriais. A configuração da Agenda Legislativa da Indústria 2026 ainda será submetida à deliberação da diretoria da CNI, responsável também pela definição da Pauta Mínima, que concentra as matérias consideradas estratégicas para a atuação do setor na defesa da indústria no âmbito do Legislativo federal.

A diretora-executiva e de Relações Institucionais do Sistema FIERGS, Ana Paula Werlang, destacou que “o objetivo é dar continuidade ao trabalho iniciado, consolidando o que foi construído no último ano e colocando em prática o que foi planejado”. Já o coordenador do Conselho de Articulação Política (Coap) do Sistema FIERGS, Diego Bier, parabenizou pelo trabalho realizado pela entidade na proposição de projetos de interesse, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 27/2023, que cria o Fundo Constitucional do Sul e do Sudeste. “A PEC 27 foi uma conquista nossa e demandou muito esforço. Não podemos perder essa prerrogativa de continuidade”, ressaltou Bier.

PROJETOS DEBATIDOS
A participação do Sistema FIERGS no seminário resultou na inclusão e manutenção de projetos estratégicos para o setor produtivo na Agenda Legislativa da Indústria. Por meio do Coap e do Conselho de Assuntos Tributários, Legais e Cíveis (Contec), foi mantida a PEC 27/2023, que institui os fundos constitucionais do Sul e do Sudeste. A proposta, de iniciativa do Sistema FIERGS em conjunto com as federações do Paraná e de Santa Catarina, prevê destinar, da arrecadação federal de Imposto de Renda e de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), 1% para cada uma das regiões e para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e 0,5% para segurança pública em todos os estados.

Outra conquista relevante foi a permanência do Projeto de Lei 2168/2021, que declara como de utilidade pública as obras de infraestrutura de irrigação e dessedentação animal. A medida facilita os processos de licenciamento ambiental, especialmente em contextos de adversidades climáticas.

Também foi mantido na Agenda o Projeto de Lei 1321/2023, que altera as regras do vale-pedágio. A proposta, apresentada pela deputada federal Any Ortiz (Cidadania/RS), a pedido do Sistema FIERGS, busca corrigir dispositivos da legislação que instituiu o vale-pedágio obrigatório.

OUTROS PLEITOS
Na área trabalhista, o Sistema FIERGS atuou em relação ao PLP 28/2015, de autoria do deputado Pompeo de Mattos (PDT/RS). Embora o projeto tenha tido deliberação majoritária pela retirada da Agenda Legislativa, a entidade conseguiu manter no documento, considerando que o texto determina a prevalência do piso salarial legal sobre o negociado coletivamente, o que restringe a autonomia de empregadores e trabalhadores para ajustar condições de trabalho conforme a realidade econômica.

Destaca-se ainda a articulação da entidade para o acompanhamento da PEC 8/2025, de autoria da deputada federal Erika Hilton (PSOL/SP), que propõe a redução da jornada de trabalho para oito horas diárias e 36 horas semanais, distribuídas em quatro dias. Com posicionamento contrário, o Sistema FIERGS defendeu a inclusão da proposta na Agenda para monitoramento permanente, por entender que a legislação atual já permite flexibilidade suficiente para negociação de jornadas por meio de instrumentos coletivos.

Com atuação da FIERGS, foi incluído na Agenda Legislativa o Projeto de Lei 4459/2025, apresentado pelo deputado Marcelo Moraes (PL/RS), que trata da flexibilização de cláusulas de manutenção ou ampliação de empregos em financiamentos emergenciais. A proposta atende a uma demanda da base industrial surgida após as enchentes.

A Agenda Legislativa da Indústria 2026, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com os projetos de lei que integrarão o documento base da atuação legislativa (pauta mínima), será lançada em 24 de março, em sessão solene na Câmara dos Deputados, em Brasília. (FIERGS)

 

EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1905 de 5 de fevereiro de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE

As temperaturas elevadas contribuíram com o aumento da incidência de ectoparasitas, especialmente carrapatos, e com os casos de tristeza parasitária bovina. O estresse térmico causado por essas condições impactou o bem-estar e, em alguns casos, resultou em redução da produção, exigindo ajustes no manejo dos rebanhos. Entre as medidas adotadas, destacam-se a condução dos animais, nas horas mais quentes do dia, para locais com sombra e disponibilidade de água, o uso de estratégias de resfriamento, como aspersão e ventilação, além da intensificação da suplementação alimentar.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, as temperaturas elevadas afetaram o bem-estar e o desempenho das matrizes em lactação.

Em Hulha Negra, alguns produtores avaliam se será realizado corte antecipado de parte das lavouras de milho destinadas à produção de silagem para fornecimento no cocho como forma de complementar a dieta dos animais.

Na de Caxias do Sul, as altas temperaturas provocaram estresse térmico nos animais, mas, devido à suplementação alimentar e à qualidade da forragem, a produtividade e a qualidade do leite estão estáveis.

Na de Erechim, a produção está estável. As condições gerais dos rebanhos estão apropriadas, e são feitas adequações, como aumento da disponibilidade de sombra e de água, devido às temperaturas elevadas. Foi utilizada suplementação alimentar.

Na de Passo Fundo, o volume de produção está elevado, impulsionado pelas pastagens e por suplementação alimentar.

Na de Pelotas, as temperaturas elevadas causaram estresse térmico nos animais, com impactos negativos sobre o bem-estar, o consumo de matéria seca e a produção.

Na de Porto Alegre, a produção está elevada em função das adequadas condições corporais e nutricionais do rebanho, associadas à oferta de forragem de qualidade, o que possibilitou a redução do uso de concentrados e de silagem.

Na de Santa Rosa, as temperaturas elevadas provocaram estresse térmico nos animais, e houve redução do tempo de pastejo, do consumo alimentar e da produtividade, além de prejuízos ao desempenho reprodutivo das vacas leiteiras (diminuição das taxas de concepção e maior retorno ao cio). Os criadores ajustaram o manejo, priorizando o pastejo noturno e o fornecimento de alimentos conservados. (Emater adaptado pelo Sindilat/RS)


Jogo Rápido

BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO Nº 06/2026 – SEAPI 
Na próxima semana, a atuação predominante de um sistema de alta pressão favorecerá a manutenção do tempo estável em grande parte do estado do Rio Grande do Sul. Em 06/02 (sexta-feira), as condições de tempo estável ainda deverão predominar na maior parte do estado, exceto nas regiões da Campanha e do Litoral Sul, onde há possibilidade de chuva fraca a moderada em pontos isolados. As temperaturas seguirão em elevação, podendo se aproximar dos 40 °C, ou até superar esse valor em pontos isolados do estado. Em 07/02 (sábado), a atuação de um sistema de baixa pressão nas proximidades do estado poderá trazer instabilidade para a metade norte do Rio Grande do Sul. Assim, há previsão de chuva fraca a moderada, localmente forte, nessa região. Nas demais áreas, não há previsão de chuva significativa. Ao longo desse período, as temperaturas deverão entrar em declínio. Em 08/02 (domingo), o tempo deverá voltar a ficar estável, sem previsão de chuva significativa na maior parte do estado, e as temperaturas voltarão a se elevar. Em 09/02 (segunda-feira) e em 10/02 (terça-feira), a manutenção do padrão atmosférico do dia anterior favorecerá a continuidade do tempo estável em grande parte do Rio Grande do Sul, sem previsão de chuva significativa, e com elevação das temperaturas. Em 11/02 (quarta-feira), a aproximação de um sistema frontal poderá trazer instabilidade para a metade sul, bem como para pontos isolados da metade norte do estado. Dessa forma, há previsão de chuva nessas localidades. De forma geral, os acumulados de precipitação devem variar entre 0 e 50 milímetros ao longo da semana. Na metade oeste e sul, encontram-se os menores valores previstos; assim, os volumes de chuva não deverão ultrapassar 20 milímetros. Já os maiores volumes são esperados na metade norte do estado, principalmente na região dos Campos de Cima da Serra, onde, em pontos isolados, os acumulados podem ultrapassar 50 milímetros. (Seapi adaptado pelo Sindilat/RS)


Porto Alegre, 05 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.568


Acordo Mercosul–UE reacende debate sobre competitividade do leite brasileiro e pressiona cadeia por eficiência e dados

Após 26 anos de negociações, tratado abre cotas para lácteos europeus, é judicializado e expõe gargalos históricos do setor no Brasil; especialistas apontam gestão, informação e valor agregado como chaves para enfrentar o novo cenário

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), assinado após mais de duas décadas de negociações e já judicializado, voltou a colocar o setor lácteo brasileiro em estado de alerta. Embora a redução de tarifas dentro de cotas para produtos como queijos e leite em pó europeus gere apreensão entre produtores, especialistas ouvidos avaliam que os maiores desafios não estão, necessariamente, na concorrência externa, mas em problemas estruturais da própria cadeia do leite no Brasil.

Do ponto de vista da prestação de serviço ao produtor rural e ao mercado, o consenso é que o acordo escancara dificuldades antigas: custos elevados, margens apertadas, volatilidade de preços, falta de dados confiáveis e baixa eficiência produtiva e industrial.
Gestão ineficiente pesa mais que tarifa, diz Embrapa.

Para o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Dr. Paulo Martins, a narrativa de que o produtor brasileiro será automaticamente prejudicado pela entrada de lácteos europeus precisa ser relativizada. Segundo ele, o principal entrave à competitividade do leite nacional está na gestão deficiente, tanto na produção primária quanto nos laticínios.

“O principal problema brasileiro é a baixa qualidade de gestão no setor primário e nos laticínios. Isso faz com que os nossos produtos sejam mais caros”, afirma. Para o pesquisador, reconhecer essa realidade é condição básica para avançar em eficiência e redução de custos.

Dr. Paulo Martins destaca ainda que é fundamental aprofundar estudos sobre os subsídios recebidos pelos produtores europeus, especialmente transferências diretas e possíveis incentivos a insumos. Caso esses subsídios sejam confirmados, caberia ao Brasil discutir medidas compensatórias. Ainda assim, ele avalia que há tempo suficiente para ajustes internos antes que o acordo produza efeitos mais concretos no mercado.“O que não dá é para não fazer o acordo. Ele será bom para o Brasil no seu conjunto”, resume.

Outro ponto sensível para o produtor é o receio de que a previsibilidade de importações europeias seja usada como argumento para pressionar o preço do leite pago ao campo. Para o pesquisador da Embrapa, essa leitura simplifica excessivamente a dinâmica do mercado.
“A indústria não é a vilã do setor”, afirma Martins. Segundo ele, quem mais captura valor na cadeia são os supermercados e as indústrias que utilizam leite como matéria-prima para outros alimentos, como biscoitos, doces e chocolates. Esses elos têm maior poder de barganha e influenciam os preços pagos aos laticínios, que acabam repassando essa pressão ao produtor.

Além disso, o grande número de laticínios no país faz com que o preço do leite seja resultado direto da oferta e demanda. Quando há escassez, como em 2022, com retração de cerca de 10% na produção, os preços sobem. Em momentos de excesso de oferta, como no cenário atual,  influenciado pelo crescimento da produção e pelas importações, os preços tendem a cair.

Na avaliação de Paulo Martins, a elevada volatilidade de preços não é fruto apenas de disputas entre produtores e indústria, mas da ausência de dados confiáveis ao longo da cadeia. A falta de informações sobre produção primária e industrial cria um ambiente de incerteza, no qual ninguém consegue prever, com segurança, os preços praticados em horizontes de médio prazo.

“Isso mostra imaturidade e desorganização da indústria”, afirma. Para ele, a coleta e divulgação de dados consistentes são essenciais para reduzir a instabilidade e permitir decisões mais racionais por parte de produtores, laticínios e investidores.
Europa não muda o jogo da oferta, avalia indústria.

Do lado da indústria, o CEO da Cia do Leite, que atua como assistência técnica e gerencial de produtor de leite, Ronaldo Carvalho, adota um tom ainda mais cauteloso ao avaliar riscos e ganhos do acordo para o setor. Segundo ele, o tratado não altera de forma relevante a dinâmica de oferta no curto e médio prazo.

“Eu não vejo nem risco e nem ganho”, afirma. Carvalho destaca que os principais fornecedores externos de leite em pó para o Brasil já são Argentina e Uruguai, países com custos de produção mais competitivos, moeda mais fraca e logística mais favorável do que a europeia. Nesse contexto, a entrada de produtos da UE não mudaria de forma significativa o volume ofertado no mercado brasileiro.
Para ele, mesmo com subsídios, o custo da terra na Europa, a limitação de área produtiva e a força da moeda tornam o leite europeu menos competitivo frente aos vizinhos do Mercosul.

Se por um lado o acordo não deve inundar o mercado brasileiro com lácteos europeus, por outro pode abrir oportunidades pontuais para produtos brasileiros de maior valor agregado. Carvalho avalia que a exportação de commodities lácteas para a Europa é pouco viável, mas vê espaço para nichos específicos.

“Alguns produtos de valor agregado nosso podem, sim, entrar no mercado europeu”, afirma, com destaque para produtos proteicos, que vêm ganhando força no mercado interno e poderiam avançar também no exterior.

Ainda assim, ele pondera que a cadeia produtiva do leite no Brasil é conservadora e tende a reagir lentamente. Investimentos e mudanças estratégicas só devem ocorrer após a consolidação efetiva do acordo e o mapeamento claro das oportunidades.

Barreiras sanitárias e ESG entram no radar. Apesar do potencial, os entraves técnicos e sanitários são considerados reais. Segundo Carvalho, é natural que a UE busque criar barreiras sanitárias e ambientais como forma de conter a entrada de produtos brasileiros, especialmente se a balança comercial passar a favorecer o Brasil.

Nesse cenário, estados do Sul aparecem em vantagem. De acordo com o executivo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul estão há mais de uma década à frente de outras regiões na adequação a exigências sanitárias, certificações e práticas ligadas à sustentabilidade.

Para acessar o mercado europeu, ele avalia que será indispensável investir em ESG, rastreabilidade, certificações e, sobretudo, em uma narrativa consistente. “O europeu agrega valor contando uma boa história”, afirma, citando o apelo ambiental, familiar e emocional dos produtos lácteos vendidos na Europa.

No fim das contas, tanto a pesquisa quanto a indústria concordam em um ponto central: o acordo Mercosul–UE não cria, por si só, uma crise para o leite brasileiro, mas expõe fragilidades históricas da cadeia. Competitividade, acesso a crédito, eficiência produtiva, organização de dados, sanidade e estratégia de mercado seguem sendo os verdadeiros desafios para atender tanto o mercado interno quanto possíveis oportunidades externas.

Para o produtor rural, a mensagem é clara: mais do que temer o produto europeu, será necessário olhar para dentro da porteira e da indústria, profissionalizar a gestão e se preparar para um mercado cada vez mais exigente e volátil. (Notícias Agrícolas)


GDT 397: consolidação de preços sinaliza transição para um novo ciclo no mercado lácteo internacional

O 397º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT), realizado no dia 03 de fevereiro, apresentou um movimento de novas e expressivas altas, reforçando o processo de recuperação dos preços internacionais de lácteos. Em meio à valorização generalizada entre os produtos negociados, o preço médio dos lácteos comercializados (price index) registrou forte avanço de 6,7%, atingindo USD 3.830/tonelada.

Gráfico 1. Preço médio leilão GDT

O leite em pó integral (LPI), principal produto negociado na plataforma, voltou a apresentar alta significativa, com valorização de 5,3%, alcançando o preço médio de USD 3.614/tonelada. O movimento reforça a retomada dos preços dos lácteos no mercado internacional, ainda que os valores permaneçam abaixo dos patamares observados no início de 2025.

O grande destaque do leilão foi o leite em pó desnatado (LPD), que registrou a maior alta percentual do evento, com valorização de 10,6%, sendo cotado a USD 2.874/tonelada. Com esse resultado, o produto retorna a níveis de preços observados em abril de 2025, o patamar mais elevado registrado na série recente. 

Gráfico 2. Preço médio LPI

Outro destaque relevante foi a muçarela, que, assim como o LPD, apresentou valorização de 10,6%, atingindo o preço médio de USD 3.694/tonelada. Apesar da forte recuperação neste leilão, o produto ainda opera em níveis inferiores aos observados no início do ano passado, em função da sequência prolongada de quedas registrada ao longo de 2025. 

A manteiga também manteve o movimento de recuperação, com alta de 8,8%, dando continuidade ao processo de recomposição de preços após um período prolongado de desvalorizações no mercado internacional.

Nenhum dos produtos negociados apresentou variação negativa no evento, e todos os derivados ofertados foram integralmente comercializados. 

A Tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 03/02/2026.

Volume negociado recua novamente

O volume total negociado no leilão somou cerca de 24,0 mil toneladas, representando queda de 13,6% em relação ao evento anterior. Ainda assim, frente ao mesmo período do ano passado, o volume permaneceu praticamente inalterado, indicando que a redução observada tem caráter sazonal. A participação de 175 compradores — número superior ao registrado no leilão anterior — reforça a leitura de demanda consistente, o que, combinado ao menor volume ofertado, contribuiu para a forte valorização dos preços no evento.

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Impacto nos contratos futuros

Desde o último leilão do GDT, os contratos futuros de leite em pó integral negociados na NZX continuam apresentando valorização. O movimento reforça um cenário de maior equilíbrio entre oferta e demanda, sustentado pela expectativa de crescimento mais contido da produção em 2026 e por uma demanda já ajustada ao volume disponível no mercado global. Com isso, os preços futuros vêm registrando altas sucessivas entre as sessões.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

A expectativa de menor crescimento da produção mundial de leite em 2026, associada a uma demanda global mais firme, tem favorecido a recuperação dos preços internacionais de lácteos. Esse movimento já começa a se refletir regionalmente no Mercosul, onde, segundo as pesquisas semanais do MilkPoint Mercado, os derivados vêm apresentando recuperação de preços.

Ainda assim, informantes do mercado regional relatam dificuldades pontuais de vendas ao Brasil, em função dos preços domésticos ainda operarem em patamares relativamente baixos, apesar do movimento recente de recuperação. Nesse contexto, a combinação de preços internacionais mais elevados e ampla oferta interna pode reduzir a atratividade das importações de lácteos, contribuindo para o processo de recomposição dos preços no mercado nacional.

Por outro lado, o câmbio segue como fator de atenção. A valorização do real frente ao dólar pode aumentar a competitividade dos produtos importados, atenuando parte dos efeitos positivos da alta internacional sobre o mercado doméstico.

Em síntese, o resultado do 397º leilão do GDT reforça o cenário de recuperação dos preços internacionais de lácteos, com impactos crescentes no Mercosul e potenciais efeitos positivos para o equilíbrio do mercado brasileiro ao longo de 2026. (Milkpoint)

 

 

 

China vive ponto de virada no setor de lácteos

A expansão acelerada da oferta de leite mudou o equilíbrio do mercado chinês. Menos importações, preços pressionados e os primeiros passos do país como exportador marcam esse novo cenário.

O setor de lácteos da China atravessa um período de profunda transformação. Ao longo da última década, o país intensificou políticas voltadas à autossuficiência em produtos lácteos, movimento que ganhou ainda mais força durante a pandemia, quando a segurança alimentar passou a ocupar posição central na agenda nacional. Como resultado, a produção doméstica de leite cresceu de forma acelerada.

No centro dessa estratégia está a expansão das grandes fazendas leiteiras industriais. Essas unidades, frequentemente chamadas de “mega fazendas”, operam com genética avançada, vacas de alta produtividade importadas e sistemas automatizados de ordenha. Esse modelo permitiu que a produção nacional de leite alcançasse quase 42 milhões de toneladas em 2023, superando as metas oficiais antes do previsto. Em paralelo, as pequenas fazendas familiares perderam espaço, à medida que as grandes operações passaram a dominar o setor.

Apesar do avanço da oferta, a demanda não acompanhou o mesmo ritmo. Nos últimos anos, o consumo per capita de lácteos na China recuou. O enfraquecimento da economia reduziu os gastos das famílias, enquanto mudanças nos hábitos alimentares limitaram o crescimento do consumo de leite líquido. Somam-se a esse cenário fatores demográficos, como taxas de natalidade historicamente baixas, que impactaram a demanda por produtos como fórmulas infantis.

O descompasso entre oferta e demanda resultou em um excedente estrutural de leite. Em diversas regiões, os preços do leite cru passaram a ficar abaixo dos custos de produção. Diante desse contexto, produtores menores e menos eficientes vêm se consolidando ou deixando a atividade.

O excesso de oferta também reduziu a necessidade de importações. Em 2023, as compras totais de lácteos pela China caíram cerca de 12%, com destaque para o leite em pó integral, cujas importações recuaram aproximadamente 38%. Esse movimento afetou diretamente exportadores tradicionais, como Nova Zelândia, União Europeia e Austrália, que registraram queda nos volumes destinados ao mercado chinês.

Ao mesmo tempo, a China começa a explorar seu potencial como exportadora de lácteos. Embora os volumes ainda sejam limitados, as exportações vêm crescendo de forma gradual. Em 2024, o país deve embarcar cerca de 70 mil toneladas de produtos lácteos, principalmente leite em pó, com destino a mercados do Sudeste Asiático, África, Oriente Médio e Ásia Central.

De forma geral, a indústria chinesa de lácteos chega a um ponto de inflexão. O forte crescimento da produção elevou a autossuficiência, mas a fraqueza da demanda interna alterou os fluxos comerciais. Caso essa tendência se mantenha, a China tende a assumir um papel mais ativo nos mercados regionais de exportação de lácteos nos próximos anos.

As informações são do Dairy Dimension, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.


Jogo Rápido

MILHO/CEPEA: Em queda, Indicador volta à casa dos R$ 65/sc
Cepea, 02/02/2026 – No encerramento de janeiro, o Indicador do milho ESALQ/BM&FBovespa seguiu em queda e voltou a operar na casa dos R$ 65 por saca de 60 kg, patamar que não era verificado desde o final de outubro de 2025. Segundo pesquisadores do Cepea, a liquidez esteve baixa no período, tendo em vista que compradores priorizaram o consumo de estoques negociados antecipadamente e realizaram aquisições apenas de forma pontual. Do lado da oferta, parte dos produtores com receio de novas desvalorizações e com necessidade de liberação de armazéns esteve mais flexível nos valores. Pesquisadores do Cepea ressaltam que, tipicamente, a colheita da soja e a maior demanda por fretes para a oleaginosa chegam a sustentar os valores de milho durante as primeiras semanas do ano. No entanto, em 2026, um dos fatores que tem impedido reações nos preços é o fato de os estoques de milho estarem muito elevados – são estimados em 12 milhões de toneladas neste início de temporada, contra 1,8 milhão de toneladas em 2025, e acima da média das últimas cinco safras, de 9,2 milhões de toneladas. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)


Porto Alegre, 04 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.567


Milk Summit Brazil entrega 1.500 litros de leite para prefeitura de Ijuí

Como parte do compromisso social do Milk Summit Brazil 2025, a comissão organizadora entregou na manhã desta quarta-feira (04/02) 1.500 litros de leite para a prefeitura municipal de Ijuí (RS). O montante faz parte da contrapartida pelas inscrições  para o evento realizado em outubro, durante a ExpoFest, que contou com casa lotada ao reunir mais de 2,1 mil participantes. “Poder fazer mais este repasse, além do que já foi possível entregar em alimentos para a Apae, reforça os laços do evento com esta região”, destacou Darlan Palharini, secretário executivo do Sindilat/RS e coordenador do Milk Summit. 

O leite foi entregue a uma comitiva da cidade, integrada pelo prefeito da cidade, Andrei Cossetin Sczmanski, que esteve acompanhado pelo secretário da Agricultura, Emerson Pereira, no ato realizado na prefeitura. A Secretaria de Desenvolvimento Social fará a distribuição. “A administração vê com excelentes olhos essa parceria. Deu e está dando todo o suporte técnico, logístico, estrutural para manter esse evento aqui no município de Ijuí”, indica Emerson Pereira.

Berço do maior volume de leite produzido para a indústria, com 741,9 milhões de litros de leite por ano, a cidade já tem confirmada a segunda edição do Milk Summit. Também concomitante à ExpoFest, terá o desafio de ampliar o debate sobre o leite para os países do Mercosul, expandindo os debates do evento, que retomou um espaço de diálogo no setor leiteiro.

Foto: Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Ijuí


Global Dairy Trade - GDT

Fonte: GDT adaptado pelo Sindilat

 

Cotrisal e CCGL distribuem R$ 5,3 milhões em sobras a produtores de leite

O pagamento de R$ 0,0548 por litro entregue em 2025 será creditado no dia 20 de abril aos produtores que forneceram leite de forma contínua ao longo do ano.

A Cotrisal e a CCGL irão distribuir mais de R$ 5,3 milhões em sobras aos produtores de leite referentes ao desempenho de 2025. O valor será creditado diretamente nas contas dos associados no dia 20 de abril.

O montante corresponde a R$ 0,0548 por litro de leite entregue ao longo do ano passado. A distribuição segue o princípio cooperativista de retorno dos resultados aos produtores e ocorre em um contexto marcado por desafios econômicos e necessidade de maior controle financeiro nas propriedades.

Segundo o gerente de produção animal da Cotrisal, Frederico Trindade, o pagamento representa o reconhecimento ao produtor que manteve fornecimento contínuo ao longo do ano e contribuiu para o desempenho do sistema. De acordo com ele, "é um recurso que entra diretamente na propriedade e pode ser usado para organizar o caixa, planejar investimentos e dar mais segurança para a família seguir na atividade”.

Produtores destacam que a distribuição das sobras tem impacto direto na rotina das propriedades. Allan Tormen, produtor de Paulo Bento e cooperado da Cotrisal, avalia que o modelo cooperativista permite estruturar uma indústria competitiva, capaz de agregar valor à matéria-prima e atuar de forma sólida no mercado. Para ele, o retorno financeiro fortalece o vínculo entre produtores e cooperativa.

Lauri Klein, produtor de Nova Boa Vista, afirma que os valores recebidos costumam ser reinvestidos na própria fazenda.  "A gente estava fazendo ampliação, então vamos usar esse dinheiro para comprar equipamentos”, revela. O produtor também ressalta a previsibilidade e a segurança proporcionadas pelo modelo de distribuição de sobras.

“Para fazer esse projeto, ter esse modelo do retorno, você tem que ter uma cooperativa muito sólida, que tenha um planejamento, que tenha esse cuidado, esse pensamento em relação aos produtores terem parte dos lucros. Isso é uma coisa muito bacana, porque a cooperativa, além de estar crescendo, além de estar evoluindo, ela também preza por retribuir para os produtores todo esse investimento ao longo do ano, por você ter essa parceria, por você ter esse compromisso. Para mim, sempre foi uma segurança”, ressalta Lauri.

A distribuição reforça o papel do leite dentro da cooperativa e evidencia o cooperativismo como um modelo em que os resultados gerados ao longo da cadeia retornam aos próprios produtores. Esse mecanismo contribui para a sustentabilidade das propriedades, fortalece a economia local e apoia o desenvolvimento regional.

Para ter direito ao pagamento, os produtores da Cotrisal precisam ter fornecido leite de forma contínua ao longo de 2025 e estar ativos no sistema de fornecimento da cooperativa até a data do crédito, em 20 de abril de 2026.

As informações são da Assessoria de Comunicação Cotrisal, adaptadas pela equipe MilkPoint.


Jogo Rápido

SOJA/CEPEA: Valores da oleaginosa seguem enfraquecidos
Cepea, 02/02/2026 – Os preços da soja em grão seguiram enfraquecidos no mercado brasileiro no encerramento de janeiro. De acordo com pesquisadores do Cepea, a desvalorização do grão esteve associada às expectativas de oferta recorde no Brasil, à fraca demanda doméstica e à valorização do Real frente ao dólar. Esse movimento cambial reduziu a competitividade dos produtos brasileiros no mercado externo, afastando parte dos demandantes internacionais em favor da soja norte-americana. No campo, as atividades de colheita avançam gradualmente no Brasil. No entanto, colaboradores consultados pelo Cepea apontam que os níveis de umidade do solo permanecem abaixo do ideal em áreas do Sul, especialmente em lavouras semeadas mais tardiamente, mantendo os produtores em estado de alerta. As previsões indicam chuvas mais abrangentes nos próximos dias, que, se confirmadas, tendem a melhorar o balanço hídrico e trazer alívio às lavouras. Segundo a Conab, a colheita da soja atingiu 6,6% da área nacional até 24 de janeiro, acima dos 3,2% observados no mesmo período da safra passada. Mato Grosso segue liderando os trabalhos, com 19,7% da área colhida, contra 3,6% há um ano. Fonte: Cepea (www.cepea.esalq.usp.br)


Porto Alegre, 03 de fevereiro de 2026                                                    Ano 20 - N° 4.566


SOMBRA E ÁGUA FRESCA

Com estresse térmico provocado pelas altas temperaturas, o que mais as vacas precisam no verão é hidratação e lugar para proteção dos raios solares

O calor escaldante do verão gaúcho impede não apenas a produção de leite no Estado. Com temperaturas acima dos 40°C, registradas nos últimos dias pelo MetSul em algumas regiões, as vacas leiteiras sofrem com o estresse térmico, o que compromete o bem-estar animal e impacta diretamente a produtividade de um setor responsável por cerca de 4 bilhões de litros de leite ao ano e um rebanho de 944,2 mil unidades no Rio Grande do Sul. A zona de conforto térmico das vacas leiteiras varia, em geral, entre 5°C e 25°C, faixa em que há maior produção sem estresse, explica, segundo a médica veterinária e fiscal estadual agropecuária Raquel Cannavó. Fora dessas condições, o animal passa a acionar mecanismos para manter o equilíbrio fisiológico, reduzindo o volume de lactação.

No RS, o problema é mais acentuado, porque predomina a criação de raças de origem europeia, como Holandesa e Jersey, que representam, conforme a Emater/RS-Ascar, 95% do material genético nas propriedades. “As condições mais adequadas para os bovinos de origem europeia correspondem à temperatura média mensal inferior a 20°C em todos os meses e umidade relativa do ar variando entre 50% e 80%. A temperatura crítica, que vai variar a partir do peso do animal, está entre 24°C e 26°C para a raça Holandesa e entre 27°C e 29°C para a Jersey”, explica. A partir dessa faixa, pode ocorrer o chamado estresse térmico, quando o calor gerado pelo organismo, somado ao calor absorvido do ambiente, é maior que a capacidade de dissipação.

“Animais nesta condição vão apresentar aumento da frequência respiratória, aumento da temperatura corporal (hipertermia), redução na ingestão de alimentos e aumento da ingestão de água, assim como menor eficiência de utilização dos nutrientes”, descreve a veterinária.

Uma das consequências é a possível redução na produção de leite, em torno de 15% a 20%, e alteração na qualidade, incluindo a diminuição na porcentagem de gordura.

O assistente técnico estadual da Bovinocultura Leiteira da Emater Jaime Reis afirma que a situação fica ainda mais grave quando a umidade relativa do ar está elevada, porque o animal encontra dificuldade para realizar os mecanismos de dissipação de calor. Para minimizar os efeitos, o manejo adequado é decisivo.

MANEJO

Reis assegura que a primeira medida a ser oferecida aos animais é “sombra e água fresca”. O sombreamento pode ser artificial ou natural. O animal pode ficar sob a copa das árvores ou sob telas de sombreamento. É fundamental que haja água disponível e de qualidade para regular a temperatura interna. Quando possível, evitar movimentar os animais nos períodos mais quentes do dia, assim como evitar os horários de maior radiação solar.

“Tem produtores que preferem soltar o gado de noite para pastejar, quando não tem tanto problema, como segurança. Os animais conseguem pastar mais”, relata.

Quando o sistema for confinado, um ventilador pode ajudar muito. “A ventilação natural ou forçada dentro de um galpão também é importante em temperaturas elevadas e alta umidade do ar, pois promove a remoção de calor e umidade e o excesso de calor e a combinação de ventiladores e aspersores, os quais se borrifa água nos animais e subsequentemente se joga vento, causando resfriamento evaporativo e queda da temperatura corporal”, destaca Raquel Cannavó.

Em razão da redução do consumo de alimento pelas vacas neste período, ela observa que se faz necessário oferecer uma dieta com maior densidade de nutrientes, para evitar a queda na produção, além de ajuste nos horários de trato, fornecendo a maior parte do alimento nos períodos mais frescos do dia para incentivar o consumo de matéria seca.

EFEITOS

Os efeitos, segundo o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat), Darlan Palharini, dependem muito de propriedades mais tecnificadas, como as de produção intensiva. “As propriedades maiores não sofrem tanto”, lembra que a maioria trabalha no sistema Compost Barn, que é a produção de leite com gado confinado e que normalmente usa ventilação mecânica para reduzir a temperatura do ambiente.

Os técnicos da Emater já observaram a adoção dessas estratégias em diversas regiões do Estado neste ano. Mesmo assim, já houve registros de redução na produção em situações de estresse térmico mais intenso. (Correio do Povo)


Sistemas silvipastoris estão entre indicados

Embrapa constatou que aproximadamente 300 árvores por hectare foi suficiente para reduzir a temperatura de superfície das pastagens

Dentre as estratégias que podem ser adotadas para minimizar os efeitos das ondas de calor nas vacas leiteiras, estão os sistemas silvipastoris, que integram árvores, pastagem e gado na mesma área. Pesquisas da Embrapa indicam que o manejo garante mais conforto térmico aos animais e um maior benefício ambiental. “Um conjunto de resultados de pesquisa e de evidências demonstra que os sistemas silvipastoris são extremamente positivos do ponto de vista de produtividade do bovino criado a pasto, do ponto de vista de produção de água, de elevação do bem-estar animal e também impacta positivamente nas fertilidades dos animais”, resume o pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste Alexandre Rossetto Garcia.

Ele destaca que esse assunto tem tomado mais importância devido à frequência das ondas de calor. “A questão que essas ondas estão se tornando mais frequentes e cada vez mais intensas no Brasil e isso é um fato cientificamente constatado”, afirma, observando que isso demanda muito mais atenção desse setor, que conta com um rebanho dedicado à produção leiteira por volta de 37 milhões de animais no país, sendo 15 milhões de vacas ordenháveis, a maior parte criada em sistemas a pasto. “Torna o Brasil um dos países detentores dos maiores rebanhos leiteiros do mundo.”

As pesquisas da Embrapa mostram que a presença das árvores em uma densidade de aproximadamente 300 unidades por hectare foi suficiente para reduzir significativamente a temperatura da superfície das pastagens. “O mais interessante é que, da mesma forma como acontece nas cidades, a formação das ilhas de calor, de áreas de retenção de calor extremo, também acontece nas áreas de pastagem”, salienta Garcia. Além disso, o sombreamento natural reduziu em 26% a busca por bebedouros pelos animais. “Traz a elevação do bem-estar, porque, a depender da configuração e da densidade arbórea, tem uma redução de temperatura do ar, que pode variar de 0,5°C a 1,5°C.”

O uso das modalidades que integram de forma planejada a pastagem e as árvores confere, ainda, além do sombreamento, aumento da fixação de carbono por conta da produção de gramíneas ou mesmo de leguminosas, quando são associadas. Outro ponto vantajoso é o incremento da biodiversidade.

GENÉTICA

A Embrapa também recomenda o melhoramento genético. “A gente identifica os animais mais resistentes às altas temperaturas. Em geral, os animais de raças zebuínas, como Gir, por exemplo, ou Girolando. Eles são mais resistentes e mais tolerantes ao calor. Mas também é importante trabalharmos com adaptação de animais dentro das raças”, diz o pesquisador.

Por isso, segundo Garcia, é fundamental identificar os animais mais termotolerantes e os genotipar para que eles sejam multiplicados dentro dos programas de melhoramento genético, com aplicação na resistência ao calor, por exemplo.

FERTILIDADE

Outro fator influenciado pelo estresse térmico é a fertilidade. “O parênquima testicular dos touros produzidos à sombra é menos afetado ao longo do tempo pelo calor e, portanto, tem funcionamento melhor.” Já as vacas mantidas em áreas arborizadas produzem embriões com expressão gênica de maior crescimento. “Então, a gente pode deduzir que um efeito direto do ambiente e do bem-estar animal também sobre os embriões produzidos”, salienta o pesquisador. (Correio do Povo)

Colina além das vitaminas: o papel do leite nesse nutriente 

Conhecida como “vitamina J”, a colina é nutriente essencial reconhecido por órgãos internacionais e está presente no leite e derivados.

A colina é um nutriente essencial para o funcionamento do organismo e, embora costume ser chamada de “vitamina J”, não é classificada oficialmente como vitamina nos sistemas tradicionais de nutrição.
Ainda assim, seu papel metabólico é amplamente reconhecido por instituições de referência em saúde e ciência.

De acordo com órgãos internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH), apenas as vitaminas dos complexos A, C, D, E, K e B integram oficialmente as tabelas vitamínicas. A colina, por sua vez, foi classificada como nutriente essencial pelo Institute of Medicine, ligado às Academias Nacionais de Ciências dos EUA, em 1998, devido às suas funções vitais e à semelhança funcional com vitaminas do complexo B.

No organismo, a colina atua diretamente no metabolismo de gorduras no fígado, ajudando a prevenir o acúmulo de lipídeos hepáticos. Também participa da formação de fosfolipídios, componentes fundamentais das membranas celulares, e é indispensável para a síntese da acetilcolina, neurotransmissor associado à memória, ao aprendizado e ao controle muscular.

Outro papel relevante da colina está na regulação da homocisteína, aminoácido relacionado ao risco cardiovascular quando presente em níveis elevados. Durante a gestação, sua importância se amplia: o nutriente contribui para o desenvolvimento do cérebro fetal, sendo considerado estratégico para a saúde materno-infantil.

Embora o corpo humano consiga produzir pequenas quantidades de colina, essa síntese endógena não é suficiente para atender às necessidades diárias. Por isso, a ingestão por meio da alimentação é considerada indispensável.

É nesse ponto que os alimentos de origem animal, especialmente os lácteos, ganham relevância. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as principais fontes alimentares de colina incluem gema de ovo, fígado bovino e de frango, carnes magras, peixes como salmão e bacalhau, além de leite e derivados. Esses produtos apresentam concentrações mais elevadas do nutriente quando comparados às fontes vegetais.

Entre os alimentos de origem vegetal, que oferecem quantidades menores de colina, destacam-se soja e derivados, feijão, grão-de-bico, brócolis, couve-flor, quinoa e amendoim. Ainda que contribuam para a ingestão total, geralmente não alcançam os mesmos níveis observados nos alimentos de origem animal.

As recomendações internacionais indicam ingestões diárias adequadas de colina que variam conforme o perfil populacional: cerca de 550 mg por dia para homens adultos, 425 mg para mulheres adultas, aproximadamente 450 mg para gestantes e 550 mg para lactantes. Esses valores podem variar de acordo com idade e condições específicas de saúde.

Mesmo fora do grupo oficial das vitaminas, a colina segue consolidando seu espaço como nutriente-chave na discussão sobre alimentação equilibrada — e os lácteos, mais uma vez, aparecem como parte consistente dessa narrativa nutricional.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Revista Fórum


Jogo Rápido

Fórum MilkPoint Mercado abordará desafios e oportunidades do setor leiteiro em 2026
Os desafios no curto prazo e as oportunidades a longo prazo da cadeia do leite em 2026 serão foco do Fórum MilkPoint Mercado que, este ano, acontece no dia 9 de abril, em Piracicaba (SP) , no chamado “Vale do Silício do Agro”, ninho de startups e grandes inovações do setor. Para participarem, associados do Sindilat/RS têm garantido 10% de desconto na inscrição, que pode ser feita no link disponível no site do Sindilat, clicando aqui. O primeiro lote está disponível até o dia 06 de fevereiro. A programação do Fórum MilkPoint Mercado 2026 foi estruturada para oferecer uma visão completa e estratégica da cadeia láctea, combinando análises de mercado, qualidade do leite e performance financeira da indústria ao longo de um dia inteiro de debates e networking. (Sindilat)


Porto Alegre, 30 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.565


EMATER/RS: Informativo Conjuntural 1904 de 29 de janeiro de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 
 
Do ponto de vista sanitário e produtivo, o quadro está estável. Houve estresse térmico aos animais, em mais de uma região, devido às temperaturas elevadas, o que reforçou a necessidade de adoção de medidas de manejo, como disponibilidade adequada de sombra, uso de ventiladores e o fornecimento contínuo de água de boa qualidade e em quantidade suficiente. A utilização de alimentos conservados, como silagem, feno e pré-secado, segue sendo adotada nas dietas, visando suprir a demanda energética dos animais. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a produção do período ficou estável. Os produtores aceleraram a passagem dos animais pelos potreiros para evitar que as forrageiras ultrapassem o ponto ideal, especialmente nas pastagens de sorgo, capim-sudão e milheto. 

Na de Caxias do Sul, a temperatura elevada causou estresse nas vacas, especialmente em locais com pouca disponibilidade de sombra. No entanto, a produtividade foi mantida. Nos sistemas confinados, utilizaram-se ventiladores e aspersores para mitigar os efeitos negativos do calor excessivo. O tempo seco favoreceu a limpeza dos úberes e a qualidade do leite em função da ausência de barro. 

Na de Erechim, os rebanhos voltaram a acessar os piquetes, beneficiados pelos dias mais ensolarados e pela redução do excesso de umidade do solo, o que possibilitou melhor aproveitamento das pastagens. Houve redução do excesso de umidade nos arredores das propriedades e nos estábulos, evitando a formação de barro, o que diminui os riscos de mastite, problemas de casco e lesões decorrentes de atolamentos e escorregões. 

Na de Ijuí, a produção está estável. Os criadores menos capitalizados reduziram a quantidade de complemento alimentar na tentativa de baixar os custos de produção.  

Nas de Passo Fundo e Pelotas, houve redução de produtividade, em alguns locais, devido à menor disponibilidade de forragem aos animais. 

Na de Santa Maria, a oferta de pastagens, aliada às estratégias de manejo nutricional e sanitário empregadas nas propriedades, garantiram a manutenção da produção em níveis satisfatórios. (Emater/RS)


BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO Nº 05/2026 – SEAPI 

Na última semana, a atuação de um sistema de alta pressão favoreceu a persistência do tempo estável em todo o estado do Rio Grande do Sul. Dessa forma, entre os dias 22/01 (quinta-feira) e 28/01 (quarta-feira), as condições meteorológicas permaneceram predominantemente estáveis, com apenas registros pontuais de chuvas isoladas ao final dos dias 27/01 e 28/01.  

As pastagens apresentaram elevado vegetativo e condições fitossanitárias satisfatórias, refletindo um desempenho geral ainda positivo e disponibilidade de forragem acumulada. No campo nativo, houve melhoria na oferta e na qualidade. Contudo, a ausência de chuvas já começa a impactar a qualidade do pasto, exigindo maior atenção ao manejo das lotações para a manutenção desse nível de desempenho. 

Na bovinocultura de leite e na de corte, as temperaturas elevadas registradas no período ocasionaram estresse térmico nos rebanhos em diferentes regiões, reforçando a necessidade de adoção de práticas de manejo voltadas à mitigação dos seus efeitos e à manutenção do bem-estar animal.  

Na próxima semana, a atuação predominante de um sistema de alta pressão favorecerá a manutenção do tempo estável na maior parte do período em todo o estado do Rio Grande do Sul. Nos dias 30/01 (sexta-feira) e 31/01 (sábado), as condições de tempo estável deverão predominar em grande parte do estado. Ainda assim, no litoral gaúcho e em regiões adjacentes, os efeitos da circulação marítima poderão ocasionar pancadas isoladas de chuva ao final do dia. No dia 01/02 (domingo), o tempo deverá permanecer estável em praticamente todo o Rio Grande do Sul, sem previsão de chuva significativa na maior parte das regiões. Entre os dias 29/01 e 31/01, as temperaturas estarão em declínio. A partir do dia 01/02, os valores voltarão a entrar em elevação, acompanhando o padrão atmosférico dominante. 

Nos dias 02/02 (segunda-feira), 03/02 (terça-feira) e 04/02 (quarta-feira), a manutenção do padrão atmosférico dominante favorecerá a continuidade do tempo estável em praticamente todo o território gaúcho, sem previsão de chuva significativa na maior parte das regiões. As temperaturas estarão em elevação. De forma geral, os acumulados devem variar entre 0 e 50 milímetros ao longo da semana. Na região da Fronteira Oeste, se encontram os menores valores previstos e, portanto, os volumes de chuva previstos não deverão ultrapassar os 10 milímetros. Já os maiores volumes previstos se encontram nas regiões de Campos de Cima da Serra e Serra, onde, em alguns pontos isolados, os acumulados devem chegar próximos aos 50 milímetros. (Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação adaptado Sindilat)

LEITE/CEPEA: Preços acumulam queda de 25,8% em 2025

Cepea, 28/01/2026 – O preço do leite ao produtor captado em dezembro/25 caiu pelo nono mês consecutivo, fechando a R$ 1,9966/litro na Média Brasil – quedas de 5,78% frente a novembro/25 e de 25,79% sobre dezembro/24, em termos reais (valores deflacionados pelo IPCA de dezembro/25). Com o resultado, a desvalorização real acumulada em 2025 foi de 25,8%. A média anual, de R$ 2,5617/litro, ficou 6,8% abaixo da de 2024.

Os seguidos recuos no campo são explicados pelos altos estoques de derivados. Em 2025, a oferta de lácteos aumentou consideravelmente, impulsionada por investimentos realizados em 2024 e pelo clima favorável ao longo do ano. De novembro a dezembro, o ICAP-L (Índice de Captação de Leite) caiu 0,41% na Média Brasil, mas, no acumulado do ano, subiu 15,4%.

Apesar de terem recuado em dezembro pelo segundo mês consecutivo, as importações ajudaram a manter elevados os estoques de lácteos no último bimestre de 2025. No ano, foram adquiridos 2,21 bilhões de litros em equivalente leite, apenas 5,9% a menos que em 2024, ano de importações recordes. Além disso, os embarques recuaram 31,6% em 2025, para 67,58 milhões de litros em equivalente leite.

Nesse contexto, as negociações de lácteos entre indústrias e canais de distribuição continuaram pressionadas em dezembro. Levantamento realizado pelo Cepea com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) mostra que, em dezembro, as médias da muçarela, do leite UHT e do leite em pó caíram 1,38%, 6,67% e 0,79%, respectivamente, em termos reais.

A queda no preço do leite no campo vem estreitando as margens do produtor, mesmo com a relativa estabilidade dos custos em 2025. Pesquisa do Cepea aponta que, no acumulado do ano, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 0,57% na Média Brasil. A valorização do milho também tem limitado o poder de compra do produtor: em dezembro, foram necessários 34,87 litros de leite para adquirir uma saca de 60 kg do grão, 9,04% a mais que no mês anterior (31,97 l/sc) e 21,7% acima da média dos últimos 12 meses (28,66 l/sc).

Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de dezembro/2025)

Fonte: Cepea adaptado pelo Sindilat


Jogo Rápido

Argentina exporta 27% da produção de leite e bate recorde
O setor de lácteos da Argentina registrou em 2025 o seu melhor desempenho externo dos últimos 12 anos, impulsionado por um processo de modernização da cadeia produtiva e condições favoráveis de mercado. Dados divulgados pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca do Ministério da Economia mostram que o país exportou 425.042 toneladas de produtos lácteos, gerando uma receita total de US$ 1,69 bilhão. O resultado representa um crescimento anual de 11% em volume e de 20% em valor na comparação com o ano anterior, refletindo a valorização dos itens comercializados. Quando convertido para litros equivalentes, o volume embarcado somou 3,129 bilhões de litros, um salto de 18% ante 2024, o que significa que o mercado internacional absorveu 27% de toda a produção nacional de leite no período. A oferta doméstica também mostrou bons números: a produção total atingiu 11,618 bilhões de litros entre janeiro e dezembro de 2025, marcando o maior volume produtivo da década para o setor e o segundo maior da série histórica argentina. (Agro Estadão)


Porto Alegre, 29 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.564


CONSELHO PARITÁRIO PRODUTORES/INDÚSTRIAS DE LEITE DO ESTADO DO PARANÁ – CONSELEITE–PARANÁ 

RESOLUÇÃO Nº 01/2026 

A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 28 de janeiro de 2026 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Dezembro de 2025 e a projeção dos valores de referência para o mês de Janeiro de 2026, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes.

Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia; Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução. 

Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Janeiro de 2026 é de R$ 3,9940/litro. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade, o Conseleite-Paraná disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas e contagem bacteriana. O simulador está disponível no seguinte https://www.sistemafaep.org.br/conseleite-parana/.  


Whey protein com frutas: ranking das melhores combinações

Nutricionista explica como combinar whey protein e frutas para ganhar músculo ou emagrecer, com foco em digestão, saciedade e desempenho.

O whey protein é um dos suplementos mais consumidos por quem pratica musculação e atividades físicas regulares, mas seu uso vai além do ganho de massa muscular.

Segundo a nutricionista e farmacêutica Verônica Dias, do Instituto Nutrindo Ideais, a combinação do whey protein com frutas pode ampliar benefícios nutricionais, melhorar a digestão e apoiar tanto estratégias de hipertrofia quanto de emagrecimento.

A proteína do soro do leite é reconhecida por seu alto valor biológico e rápida absorção. No entanto, Verônica explica que, quando consumido isoladamente, o suplemento pode ter sua experiência nutricional limitada. “Integrar frutas ao whey protein potencializa a refeição, agregando fibras, vitaminas e minerais que complementam a proteína”, afirma a especialista, que também é pós-graduada em terapias integrativas.

Entre os principais efeitos dessa combinação estão a melhora da digestão, maior estabilidade energética e aumento da saciedade. As fibras presentes nas frutas ajudam a modular a absorção do whey protein, evitando picos glicêmicos e favorecendo um fornecimento mais gradual de energia. Além disso, frutas ricas em antioxidantes contribuem para neutralizar os radicais livres produzidos durante o exercício físico.

Para quem busca ganho de massa muscular, a escolha das frutas tende a priorizar fontes de carboidratos e calorias que auxiliem na reposição de glicogênio e na recuperação pós-treino. A banana aparece como uma das opções mais indicadas. Rica em carboidratos e potássio, ela ajuda a repor energia e a prevenir cãibras. Segundo a nutricionista, pode ser combinada com beterraba para melhorar a oxigenação muscular.

O abacate também entra nessa lista por seu perfil de gorduras saudáveis e alta densidade calórica. “Ele contribui para o ganho de peso de forma equilibrada, oferecendo energia sustentada”, explica Verônica. Já a manga se destaca pelo teor de carboidratos e vitamina C, sendo indicada tanto para o pré quanto para o pós-treino, com impacto positivo na imunidade. O damasco, por sua vez, fornece carboidratos rápidos, úteis para a reposição eficiente do glicogênio muscular.

No contexto do emagrecimento, a lógica muda. O foco passa a ser frutas com baixo índice glicêmico, alta concentração de fibras e menor densidade calórica. As frutas vermelhas lideram essa escolha por seu potente efeito antioxidante e baixa carga energética, auxiliando na definição muscular sem comprometer o déficit calórico.

O kiwi é apontado como outro aliado relevante. Rico em vitamina C e fibras, ele favorece a digestão, contribui para o controle da fome e apoia a saúde intestinal. A pera completa o grupo por seu baixo índice glicêmico e alta capacidade de promover saciedade prolongada, o que ajuda no controle do apetite ao longo do dia.

Além dos shakes, o whey protein pode ser incorporado a preparações simples do cotidiano. Verônica sugere receitas práticas, como bolo de caneca proteico e panqueca de banana com whey, que facilitam a adesão à suplementação sem comprometer a rotina alimentar. “O mais importante é alinhar as combinações ao objetivo individual e manter atenção às porções”, ressalta.

A escolha correta das frutas, portanto, transforma o whey protein de um suplemento isolado em uma refeição funcional, adaptável a diferentes estratégias nutricionais e estilos de vida.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Minha Vida

Mercado de lácteos do Brasil entra em fase de ajuste em 2026, diz Rabobank

Após um ano excepcional, o mercado de lácteos do Brasil entra em 2026 com preços ajustados e crescimento mais cauteloso

O mercado de lácteos do Brasil deve apresentar um crescimento mais moderado em 2026, após o forte desempenho registrado ao longo de 2025.

A avaliação é do Rabobank, que aponta para um cenário de ajuste gradual, influenciado por preços ligeiramente mais baixos ao produtor no início do ano e por uma base de comparação elevada, resultado da expansão significativa observada no ciclo anterior.

Segundo Andrés Padilla, analista do Rabobank, a dinâmica do setor em 2026 será marcada por maior equilíbrio entre oferta e demanda. Pelo lado do consumo, a leitura é de que o ambiente macroeconômico tende a permanecer moderadamente favorável, criando sustentação para a demanda doméstica por lácteos ao longo do ano.

Padilla destaca que o início de um ciclo de corte de juros, o nível ainda elevado de gastos públicos e a manutenção do desemprego em patamares baixos compõem um conjunto de fatores que contribuem para preservar o poder de compra das famílias. “Esses elementos devem ajudar a sustentar o consumo de lácteos ao longo do próximo ano”, afirmou o analista, ao comentar as perspectivas para o mercado interno brasileiro.

Do lado da produção, o Rabobank avalia que os fundamentos permanecem relativamente sólidos, ainda que o ritmo de crescimento deva desacelerar. O desempenho de 2025 é descrito como especialmente positivo para os produtores de leite, com aceleração da produção primária no primeiro semestre, apoiada por custos de ração controlados, rentabilidade positiva e condições climáticas menos voláteis.

De acordo com Padilla, a menor ocorrência de eventos climáticos extremos, como enchentes e secas severas, foi um diferencial relevante em relação aos anos anteriores. “Diferentemente dos anos recentes, houve menos problemas climáticos, o que facilitou o trabalho dos produtores”, afirmou. A expectativa do Rabobank é que 2025 seja encerrado com crescimento da produção de leite em torno de 6,8% em comparação com 2024.

Esse avanço expressivo cria uma base robusta para 2026, mas também impõe limites naturais à continuidade do ritmo observado. Para o banco, o ajuste nos preços ao produtor tende a atuar como um fator moderador da expansão, especialmente em um contexto em que a produção já atingiu um patamar elevado.

Na leitura do Rabobank, o ano de 2026 deve ser marcado menos por movimentos abruptos e mais por decisões estratégicas voltadas à eficiência operacional. A combinação de custos ainda controlados, porém com margens mais pressionadas, tende a favorecer produtores e empresas que priorizem gestão, escala e previsibilidade, em detrimento de estratégias agressivas de expansão.

Embora o relatório não aponte riscos imediatos de retração, o banco sinaliza que o desempenho do mercado de lácteos do Brasil em 2026 dependerá da capacidade do setor de absorver o ajuste de preços sem comprometer a rentabilidade. Nesse contexto, a leitura é de que o ambiente permanece construtivo, mas menos permissivo do que em 2025.

Com uma demanda doméstica resiliente e uma oferta que segue em expansão, ainda que em ritmo menor, o Rabobank avalia que o setor entra em uma fase de normalização. Para agentes da cadeia láctea, o cenário reforça a importância de decisões calibradas, com foco em eficiência produtiva e leitura atenta dos sinais macroeconômicos que moldarão o consumo ao longo do próximo ano.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Feed & Food


Jogo Rápido

Juros altos criam ambiente desfavorável para a indústria produzir, aponta Fiergs
Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Claudio Bier, a decisão de manter a taxa de juros em 15% ao ano cria mais um dos muitos obstáculos enfrentados pelo setor produtivo, que já opera com margens pressionadas, confiança em baixa e dificuldades para investir. Bier acrescenta que a medida também prejudica a indústria gaúcha. Segundo ele, estudo da Fiergs mostra que os juros elevados seguem entre os principais entraves à atividade, ao lado de problemas estruturais como carga tributária, demanda interna insuficiente e o ambiente de negócios. O dirigente destaca ainda que manter a Selic em patamar tão elevado restringe o acesso ao crédito, desestimula investimentos e impede a retomada da atividade industrial. “Reconhecemos que o Banco Central atua dentro dos limites que lhe cabem, diante de um cenário ainda marcado por fortes incertezas fiscais e expectativas de inflação desancoradas. A raiz do problema está na ausência de sinais mais claros de responsabilidade com as contas públicas por parte do governo federal. Sem um ambiente favorável, não há redução sustentada dos juros e, com isso, não se cria um ambiente favorável para a indústria produzir”, diz Bier. (Jornal do Comércio)


Porto Alegre, 28 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.563


Embrapa CiLeite: Leite em 2025: alimento segura custos de produção em 3,0%

Os custos de produção de leite cresceram 3,0% em 2025, após uma variação de 0,2% em dezembro, de acordo com o ICPLeite/Embrapa. Estes resultados colocam a inflação dos custos de produção de leite menor que a inflação oficial brasileira, medida pelo IPCA/IBGE, que foi de 4,3%. A baixa variação do custo da alimentação do rebanho (produzida e comprada) foi fundamental para este desempenho, enquanto que os custos da Mão de obra e da energia elétrica e do combustível (gasolina e diesel) cresceram três vezes mais que o custo total, em 2025. 

Em dezembro, alimentação comprada e remédios fizeram custo de produção crescer  O custo do grupo Concentrado cresceu 1,6% no último mês de 2025, puxado por caroço de algodão e polpa cítrica. Mas houve queda do preço de farelo de soja. Portanto, para aqueles produtores que não usam estes itens com preços altistas para alimentar o rebanho, o custo de produção certamente foi menor que 0,2%, variação do custo de produção apurado para dezembro. Também o grupo que engloba remédios, sêmen e outros, representado por Sanidade e reprodução, teve acréscimo restrito, de 0,6%. 

Em sentido contrário, três grupos apresentaram deflação no mês. A redução de preços da energia elétrica e óleo diesel fizeram com que o grupo Energia e combustível apresentasse queda de -1,8%, mesmo percentual apresentado pelo grupo Volumosos. Qualidade do leite também registrou retração de -0,2%. Os dados constam do Gráfico 1.  

Gráfico 1. ICPLeite/Embrapa. Variação em dez/25, por grupos de custos de produção, em %. 

Fonte: Embrapa, 2025.

No acumulado de 2025 a inflação de custos atingiu 3,0%, com destaque para a elevação em Minerais (17,1%), Energia e combustível (7,2%), Qualidade do leite (7,0%,) e Mão de obra (6,3%). O grupo Sanidade e reprodução, com elevação de custos de 4,3%, também cresceu acima do custo total. Já o grupo Concentrado, com variação de 2,9%, e Volumosos, com variação negativa de -4,2% ajudaram a conter a alta acumulada no ano. Os dados constam do Gráfico 2. 

Gráfico 2. ICPLeite/Embrapa. Variação acumulada por grupos de custos de produção, de jan/25 a dez/25, em %. 

Fonte: Embrapa, 2025. 
A inflação de custos de produção de leite em 2025 mostrou-se bem comportada, sem sobressaltos. Em janeiro a inflação anual cresceu para o patamar de 3,0% e, ao longo de todo o ano, oscilou entre 2,3% e 4,0%. Portanto, no que diz respeito a custos, não foram registradas variações que tenham trazido sobressaltos aos produtores, conforme gráfico 3.  

Gráfico 3. ICPLeite/Embrapa. Variação de custos de produção entre dez/24 e dez/25, em 
números-índices, dez/24=100. 

Fonte: Embrapa, 2025.

Embrapa Cileite
Paulo do Carmo Martins
Manuela Sampaio Lana
Samuel José de Magalhães Oliveira
Alziro Vasconcelos Carneiro


Whey Protein cresce 8% ao ano e consolida liderança no Brasil

Com 58% do mercado sul-americano, Whey Protein reforça o Brasil como polo estratégico

O mercado brasileiro de Whey Protein registrou crescimento médio anual de 8% entre 2020 e 2025, consolidando o país como o principal polo da categoria na América do Sul, segundo dados da Mordor Intelligence.
O Brasil respondeu por mais de 58,53% do mercado regional, posição sustentada pela expansão da nutrição esportiva, pela difusão da cultura de academias e pela crescente demanda por alimentos com benefícios funcionais.

Esse desempenho posiciona o Whey Protein como um dos vetores mais consistentes de valor agregado dentro da cadeia láctea, com impacto direto sobre estratégias industriais, mix de produtos e investimentos em processamento de soro de leite.

De acordo com o relatório, a influência de padrões de consumo ocidentais tem acelerado a procura por produtos associados à saúde, desempenho físico e bem-estar.

Nesse contexto, suplementos proteicos assumiram protagonismo no mercado brasileiro de nutrição esportiva, com as proteínas representando 74% dessa categoria, impulsionadas principalmente pelos produtos à base de soro de leite.

O dado estrutural mais relevante vem do comportamento do consumidor: o Brasil manteve, nos últimos três anos, a segunda posição mundial em número de academias, fator diretamente associado ao crescimento da demanda por Whey Protein.

Em 2015, cerca de 3,5% da população brasileira estava matriculada em academias, com destaque para a participação feminina e de pessoas acima de 60 anos, que juntas representavam mais de 40% do público.

Essa composição etária e de gênero amplia o alcance do Whey Protein para além do público tradicional de atletas e fisiculturistas, reforçando seu posicionamento como suplemento funcional associado à saúde, manutenção muscular e recuperação física.

Outro vetor destacado pela Mordor Intelligence é o papel dos profissionais de educação física e treinadores. As orientações desses agentes influenciam diretamente os hábitos alimentares dos consumidores, direcionando a adoção regular de suplementos proteicos. A projeção é de que o mercado de nutrição esportiva cresça, em média, 9% ao ano, sustentando a trajetória positiva do Whey Protein no médio prazo.

Para o setor lácteo, o movimento não é apenas comercial, mas estrutural. O avanço do Whey Protein redefine o valor do soro de leite, historicamente tratado como subproduto, e eleva sua importância estratégica dentro da indústria. Empresas com capacidade de concentração, isolamento e padronização proteica passam a operar em uma lógica de maior margem e diferenciação.

Em termos nutricionais, o Whey Protein é extraído do soro do leite e composto principalmente por alfa-globulina e beta-globulina. É reconhecido pela alta digestibilidade e rápida absorção, além de fornecer todos os aminoácidos essenciais necessários para a construção e reparação dos tecidos musculares.

Em uma porção padrão de 30 gramas, o produto entrega, em média, 24 gramas de proteína, com baixo teor de gorduras e carboidratos. Também é fonte natural de aminoácidos de cadeia ramificada — leucina, isoleucina e valina — fundamentais para a síntese proteica muscular e a recuperação pós-exercício.

O que está em jogo para decisores do setor é a capacidade de capturar esse crescimento de forma eficiente. A expansão do Whey Protein pressiona investimentos em tecnologia, qualidade industrial, rastreabilidade e adequação regulatória.

Não agir implica risco de perda de competitividade, especialmente diante da consolidação do Brasil como referência regional e do avanço de players internacionais.

Ao mesmo tempo, o cenário habilita decisões estratégicas claras: ampliação de portfólio de ingredientes funcionais, integração entre laticínios e marcas de nutrição esportiva, e reposicionamento do soro de leite como ativo central — e não residual — da cadeia.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Guia da Farmácia


Jogo Rápido

ARGENTINA: A produção de leite cresceu, mas o mercado não consegue absorvê-la
O volume de produção nas fazendas leiteiras aumentou, mas a demanda interna e as exportações não cobrem os custos do setor. A produção leiteira apresentou uma forte recuperação, mas as condições de mercado não são favoráveis. Representantes do setor alertam que, embora haja financiamento disponível, as taxas de juros permanecem muito altas em um contexto de inflação elevada e margens apertadas, o que limita a capacidade de sustentar e investir no setor. Segundo  Pablo Villano , presidente da Associação de Pequenas e Médias Empresas de Laticínios, o crédito está disponível, mas requer uma queda significativa nas taxas de juros para ser viável na atual conjuntura de mercado. (Portalechero)


Porto Alegre, 27 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.562


Conseleite RS indica leite projetado a R$ 2,0560 em janeiro de 2026 no RS

O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite) divulgou projeção de R$ 2,0560 para o valor de referência do leite em janeiro de 2026 no Rio Grande do Sul, aumento de 1,88% em relação ao projetado de dezembro (R$ 2,0180). Os números foram divulgados na manhã desta terça-feira (27/01), primeira reunião do ano de 2026, que ocorreu em formato virtual.

O Conseleite também anunciou o valor consolidado em dezembro de 2025 em R$ 1,9857, 3,61% abaixo do consolidado em novembro de 2025 (R$ 2,0601). O cálculo é elaborado mensalmente pela UPF com dados fornecidos pelas indústrias, considerando a movimentação dos primeiros 20 dias do mês, e leva em conta parâmetros atualizados pela Câmara Técnica do colegiado em 2023.

Conforme o coordenador do Conseleite, Kaliton Prestes, a projeção para janeiro reflete um movimento de leve recuperação no mercado, mas ainda pede atenção. “Mesmo com a melhora, segue sendo um cenário que exige atenção dos produtores e das indústrias. O equilíbrio da cadeia depende de planejamento e diálogo constante entre os elos”, destacou.

O vice-coordenador, Darlan Palharini, falou sobre o enfrentamento à competitividade no mercado leiteiro, referindo-se principalmente à União Europeia. “O trabalho conjunto é fundamental para termos um trabalho efetivo de qualidade e podermos superar a competição com os outros países.”

Nova diretoria do Conseleite é divulgada

Durante o encontro, também foi divulgada a nominata completa da nova coordenação do Conseleite para 2026. Conforme o sistema de rotação adotado pela entidade, que alterna anualmente a coordenação entre representantes da indústria e dos produtores de leite, o cargo passa do setor industrial, responsável pela coordenação em 2025, para o setor produtivo em 2026. Assim, Kaliton Prestes, secretário executivo da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag/RS), assume como o novo coordenador do Conseleite. A vice-coordenação fica a cargo do coordenador de 2025, Darlan Palharini. Como tesoureiro, assume Osmar Redin; como vice-tesoureiro, Marcos Tang; o secretário passa a ser Allan André Tormen; e o vice-secretário, José Pollastri. (Jardine Comunicação)


Conseleite Minas Gerais

A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 26 de Janeiro de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga:

a) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Novembro/2025 a ser pago em Dezembro/2025
b) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Novembro/2025 a ser pago em Dezembro/2025
c) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Janeiro/2026 a ser pago em Fevereiro/2026.


Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural.

 

 

Supermercados vendem menos comida apesar da trégua da inflação

Dezembro de 2025 decepcionou e foi o pior mês do ano para o varejo de alimentos. As vendas de comidas normalmente fluem nesse período sem a necessidade de esforço extra por parte dos supermercados. As festas de fim de ano e a injeção de recursos do 13.º salário se encarregam de impulsionar os negócios.

Mas, no ano passado, mesmo com a trégua da inflação de alimentos a partir de junho – fator decisivo para a inflação geral terminar o ano abaixo do teto da meta de 4,5% -, o desempenho das vendas contrariou o esperado, aponta o levantamento da Scanntech, plataforma de inteligência de dados para o varejo e indústria. A empresa monitora 13,5 bilhões de tíquetes por ano na boca do caixa dos supermercados. Isto é, são as vendas que, de fato, acontecem.Segundo o levantamento, as vendas do varejo de alimentos em dezembro do ano passado, incluindo todos os canais – mercadinhos, supermercados, hipermercados e atacarejos -, caíram 5,5% em unidades na comparação com o mesmo mês de 2024.

Já o recuo do faturamento foi menor, de 2,5%, na mesma base de comparação. Isso porque o preço por unidade subiu 3,2% no período. Mesmo assim, o desempenho de dezembro chama atenção porque foi o único mês no ano inteiro de 2025 que registrou queda na receita de vendas de alimentos na comparação anual.

Também contrasta com o padrão observado nos últimos três anos, observa Felipe Passarelli, head de inteligência de mercado da Scanntech. Nesse período, os meses de dezembro sempre apresentaram crescimento no faturamento em relação ao ano anterior.

“A queda das vendas de alimentos em dezembro de 2025 ante dezembro de 2024 reforça um movimento estrutural observado ao longo do ano”, afirma Passarelli.

Cautela
Ele argumenta que, apesar da desaceleração da inflação e do avanço da renda média do brasileiro, o consumidor continuou cauteloso na hora de ir às compras, sobretudo diante do aumento do endividamento, que pode estar associado, entre outros fatores, ao avanço das bets, as apostas online. Elas chegam a movimentar mais de R$ 30 bilhões por mês, segundo dados do Banco Central.

Fabio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), ressalta que o aumento do consumo de serviços pesa nesse desempenho. Os serviços disputam a fatia do orçamento que o brasileiro gasta com a compra de bens, como os alimentos.

“Hoje os serviços livres (excluindo os monitorados) respondem por quase a metade dos gastos (48,7%) das famílias”, diz Bentes. Em dezembro de 2008, os serviços representavam um terço (33,6%). Em contrapartida, a parcela do gasto com bens no orçamento das famílias, que era 66,4% em dezembro 2008, recuou para 51,3% em dezembro do ano passado, segundo dados ajustados pelo economista a partir do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE.

Passarelli acrescenta outros fatores inibidores das compras de alimentos, como os juros elevados e a deterioração da confiança do consumidor. “A inflação segue como o principal motivo de preocupação para cerca de metade dos brasileiros e a percepção de que ‘o dinheiro não rende’ pesa diretamente sobre as decisões de compra”, avalia.

Diante desse cenário, diz o executivo, o consumidor ajusta volumes de compras, dá prioridade aos itens mais essenciais e intensifica a busca por promoções.

Os estoques acumulados em dezembro devido à frustração das vendas e do fraco desempenho da primeira quinzena de janeiro estão levando redes de supermercados a fazer promoções agressivas para virar o jogo.

Redes de supermercados não quiseram se manifestar, mas a reportagem visitou lojas e constatou um grande volume de itens em oferta.

A rede Hirota, por exemplo, com 17 lojas espalhadas pela região metropolitana de São Paulo, informou que programou uma grande queima de estoque entre quarta-feira passada e hoje.

Segundo o diretor da empresa, Hélio Freddi, serão colocados mais de 150 itens em oferta, com descontos de até 50% no preço. “Vamos colocar em oferta itens fortes, formadores de opinião, como ovos, pó de café, cerveja, carne”, exemplifica o executivo. Com a promoção, a expectativa é atingir a meta de vendas. “Estamos 4% abaixo da meta de janeiro, que está sendo um mês terrível.”

Gastos

Despesas com matrículas e material escolar, gastos com pagamento de impostos, como IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), e a insegurança em relação ao mercado, apesar da economia estável, aumentam o receio do consumidor para gastar, diz Freddi.

Ele relata que a dificuldade de vendas enfrentada em dezembro e janeiro é um cenário comum ao setor supermercadista, que precisa fazer caixa para quitar as despesas ordinárias. “Todo mundo está com o mesmo problema.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo via infomoney


Jogo Rápido

SOJA/CEPEA: Queda do dólar e expectativas de maior oferta pressionam cotações
Soja caíram na última semana pressionadas pela queda do dólar frente ao Real, que reduziu a competitividade da oleaginosa brasileira no mercado internacional, aponta levantamento do Cepea. As cotações internas da soja caíram na última semana pressionadas pela queda do dólar frente ao Real, que reduziu a competitividade da oleaginosa brasileira no mercado internacional, aponta levantamento do Cepea. Além disso, conforme o Centro de Pesquisas, a expectativa de safra recorde no Brasil reforçou a cautela dos compradores – que têm postergado novas aquisições à espera do avanço da colheita –, levando à desvalorização dos prêmios de exportação. De acordo com a Conab, 3,2% da área nacional havia sido colhida até 17 de janeiro, acima do 1,2% registrado no mesmo período da temporada passada. (Cepea) 


Porto Alegre, 26 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.561


Inale | Exportações lácteas do Uruguai batem recorde e chegam a US$ 962,7 mi 

As exportações lácteas cresceram 13% em 2025, impulsionadas pelo avanço da leite em pó integral e da manteiga 

As exportações lácteas do Uruguai alcançaram em 2025 o maior faturamento já registrado, segundo dados finais divulgados pelo Instituto Nacional do Leite (Inale).

No acumulado de janeiro a dezembro, a receita somou US$ 962,7 milhões, resultado 13% superior ao observado em todo o ano de 2024, quando o setor havia gerado US$ 853,9 milhões.

Com esse desempenho, a agroindústria láctea uruguaia atingiu um novo recorde histórico em valor exportado. O marco anterior havia sido registrado em 2022, com US$ 925,2 milhões, em um contexto de forte valorização internacional. Ao longo da série histórica, esta é apenas a terceira vez que o país supera a barreira simbólica dos US$ 900 milhões em exportações lácteas, após os resultados de 2013 e 2022.

Os dados consolidados elaborados pelos técnicos do Inale, com base em informações da Direção Nacional de Aduanas (DNA), consideram quatro principais rubros: leite em pó integral, leite em pó desnatado, queijos e manteiga. Em 2025, o crescimento do faturamento foi sustentado principalmente pelo desempenho da leite em pó integral e da manteiga, enquanto os demais produtos apresentaram retrações.

No detalhamento por produto, a receita com leite em pó integral alcançou US$ 671,2 milhões, alta de 19% em relação a 2024. A manteiga somou US$ 74,9 milhões, com crescimento de 6%. Em contraste, a leite em pó desnatado registrou queda de 1%, totalizando US$ 54,8 milhões, e os queijos recuaram 13%, com faturamento de US$ 91,2 milhões.

Apesar do recorde em valor, o comportamento dos volumes exportados foi distinto. Ao longo de 2025, o Uruguai embarcou 214.980 toneladas de produtos lácteos, número inferior ao registrado em 2024, quando as exportações haviam alcançado 241.135 toneladas. Historicamente, os maiores volumes foram observados em 2012 e 2024, ambos acima de 240 mil toneladas.

Por produto, o volume de leite em pó integral cresceu 6%, chegando a 168.449 toneladas. Já a leite em pó desnatado teve retração de 9%, com 17.048 toneladas exportadas. Os queijos apresentaram queda mais acentuada, de 15%, totalizando 18.259 toneladas, enquanto a manteiga recuou 9%, com 11.224 toneladas.

Mesmo com a redução do volume total, a elevação dos preços médios internacionais contribuiu de forma decisiva para o resultado financeiro. Na comparação anual, os preços médios obtidos em 2025 foram 12% superiores para a leite em pó integral, 10% maiores para a leite em pó desnatado, 2% acima no caso dos queijos e 17% mais elevados para a manteiga.

Considerando apenas os negócios fechados em dezembro de 2025, os preços médios alcançaram US$ 3.854 por tonelada de leite em pó integral, US$ 3.019 para a desnatada, US$ 5.133 para queijos e US$ 6.809 por tonelada de manteiga. Em relação a dezembro de 2024, houve aumento de preços em todos os produtos, com variações positivas entre 4% e 8%.

No ranking geral das exportações uruguaias, os produtos lácteos ocuparam em 2025 a quarta posição entre os principais bens exportados, atrás da carne bovina, da celulose e da soja, e à frente dos concentrados de bebidas. O dado reforça o peso estratégico do setor para a economia do país.

Quanto aos destinos, Argélia e Brasil mantiveram a liderança como principais mercados para as exportações lácteas do Uruguai. Considerando os últimos 12 meses, a Argélia respondeu por 36% do total exportado, enquanto o Brasil concentrou 26%. Rússia, Chile e Mauritânia apareceram na sequência, cada um com participação de 3%.

A análise por produto mostra uma forte concentração: o Brasil absorveu 79% da leite em pó desnatado e 27% dos queijos exportados, enquanto a Argélia foi o principal destino da leite em pó integral, com 49%. Já a manteiga teve como principal mercado a Arábia Saudita, responsável por 23% das compras.

No contexto regional, os preços internacionais da leite em pó apresentaram ajustes no fim do ano. Em dezembro de 2025, o preço médio da leite em pó integral exportada pela América do Sul foi de US$ 3.900 por tonelada, 10% abaixo de novembro e 4% inferior ao de dezembro de 2024. Para a leite em pó desnatado, o valor médio foi de US$ 3.288 por tonelada, com queda mensal de 3% e retração anual de 13%. (Escrito para o eDairyNews, com informações de El Observador)


Quais são os queijos preferidos dos brasileiros? Confira a lista

Iguaria láctea ganha destaque em diferentes preparações na culinária

Presente em diversas refeições ao longo do dia, o queijo é um dos alimentos mais democráticos na mesa do brasileiro. Ele pode surgir derretido no sanduíche do café da manhã, em pedaços e cru na salada do almoço, ou ralado para dar o toque final ao macarrão do jantar.

Diante de inúmeras variedades disponíveis no mercado, algumas se destacam na preferência do consumidor por fatores como preço, versatilidade e agradabilidade ao paladar.

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (ABIQ), a ordem dos tipos mais consumidos no país pode variar conforme a região, mas mussarela, requeijão e queijo prato estão entre os favoritos de Norte a Sul. Juntos, eles representam cerca de 65% do consumo nacional.

Em seguida, cinco variedades se sobressaem no ranking: Minas frescal, Minas padrão, parmesão ralado, coalho e cream cheese, completa a ABIQ.

Entre os queijos considerados especiais e, por consequência, com o preço mais elevado nas prateleiras, os três preferidos para incrementar receitas são parmesão, gouda e gorgonzola.

Os queijos mais consumidos no Brasil

  • Mussarela;
  • Requeijão;
  • Prato;
  • Minas frescal;
  • Minas padrão;
  • Parmesão ralado;
  • Coalho;
  • Cream cheese.

O consumo mundial

Apesar de presente na alimentação dos brasileiros de diversas formas, o consumo médio per capita é de 5,6 quilos por ano, número considerado baixo quando comparado a outros países. Na Argentina, por exemplo, também na América do Sul, o valor mais que dobra, alcançando 12 quilos por pessoa.

A França, com 26,3 quilos, lidera o levantamento mundial, seguida por Islândia (25,9 kg) e Finlândia (25,8 kg). Em nível global, a média é de 6,5 quilos per capita e deve aumentar 1,4% até 2030, estima a ABIQ. (Globo Rural editado pelo Sindilat/RS)

MILHO/CEPEA: Com maior oferta e menor demanda, preços têm novas quedas

Milho seguem em queda nas principais regiões acompanhadas pelo Cepea.

Pesquisadores explicam que, além da maior oferta neste início de ano, reforçada pelo clima favorável à cultura no Brasil e pelo progresso da colheita da safra de verão, a menor demanda interna também explica o recuo dos valores.

Os preços do milho seguem em queda nas principais regiões acompanhadas pelo Cepea. Pesquisadores explicam que, além da maior oferta neste início de ano, reforçada pelo clima favorável à cultura no Brasil e pelo progresso da colheita da safra de verão, a menor demanda interna também explica o recuo dos valores. 

Ainda segundo o Centro de Pesquisas, compradores continuam priorizando a utilização dos lotes negociados anteriormente. Parte desses agentes, além de terem estoques, acredita que, conforme a colheita de soja avança, vendedores precisarão liberar espaço nos armazéns e fazer caixa. 

No campo, paralelamente à colheita da safra verão no Sul e no Sudeste do País, a semeadura da segunda safra teve início em algumas regiões do Sul e do Centro-Oeste. (Cepea)  


Jogo Rápido

Fórum MilkPoint Mercado abordará desafios e oportunidades do setor leiteiro em 2026
Os desafios no curto prazo e as oportunidades a longo prazo da cadeia do leite em 2026 serão foco do Fórum MilkPoint Mercado que, este ano, acontece no dia 9 de abril, em Piracicaba (SP) , no chamado “Vale do Silício do Agro”, ninho de startups e grandes inovações do setor. Para participarem, associados do Sindilat/RS têm garantido 10% de desconto na inscrição, que pode ser feita no link disponível no site do Sindilat, clicando aqui. O primeiro lote está disponível até o dia 06 de fevereiro. A programação do Fórum MilkPoint Mercado 2026 foi estruturada para oferecer uma visão completa e estratégica da cadeia láctea, combinando análises de mercado, qualidade do leite e performance financeira da indústria ao longo de um dia inteiro de debates e networking. (Sindilat)


Porto Alegre, 23 de janeiro de 2026                                                        Ano 20 - N° 4.560


CONSELEITE – SANTA CATARINA - RESOLUÇÃO Nº 1/2026

A diretoria do Conseleite Santa Catarina reunida em Chapecó no dia 23 de Janeiro de 2026 atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I, aprova e divulga os valores de referência da matéria-prima leite, realizados no mês de Dezembro de 2025 e a projeção dos valores de referência para o mês de Janeiro de 2026.
 

O leite padrão é aquele que contém entre 3,50 e 3,59% de gordura, entre 3,11 e 3,15% de proteína, entre 450 e 499 mil células somáticas/ml e 251 a 300 mil ufc/ml de contagem bacteriana e volume individual entregue de até 50 litros/dia. O Conseleite Santa Catarina não precifica leites com qualidades inferiores ao leite abaixo do padrão. (Conseleite/SC)


Informativo Conjuntural 1903 de 22 de janeiro de 2026

BOVINOCULTURA DE LEITE 

Observou-se a ocorrência de parasitas em níveis médios a altos. O período foi marcado pelo retorno das altas temperaturas, que influenciaram diretamente a produção de leite. As precipitações recorrentes em algumas regiões prejudicaram o manejo. A produção está estável, com registros pontuais de leve aumento. 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, nas propriedades com melhor manejo da alimentação e disponibilidade de sombra e água, os efeitos das condições ambientais foram significativamente mitigados, o que manteve os índices produtivos próximos da estabilidade. Já nas propriedades sem esses recursos ideais, ocorreram perdas mais expressivas na produção, o que exigiu ajustes nos horários de pastejo.  

Na de Frederico Westphalen, a produção aumentou devido ao aporte nutricional oriundo da melhoria das pastagens e do maior tempo de pastejo, e as condições ambientais favoreceram o bem-estar animal.

Na de Caxias do Sul, as condições meteorológicas da semana, caracterizadas por elevada precipitação, calor intenso e alta umidade do ar, impactaram os sistemas de produção à base de pasto, resultando em dificuldades de manejo e exigindo pastejo por tempo limitado, com retirada das vacas e suplementação com silagem em cochos cobertos. Essas condições contribuíram para quadros de estresse nas vacas. O excesso de chuvas também dificultou a limpeza dos úberes e interferiu na qualidade do leite, em função da formação de barro em corredores e locais de espera da ordenha não pavimentados. Ainda assim, o leite se manteve dentro dos padrões de qualidade. 

Na de Ijuí, a produção está estável. Os criadores menos capitalizados reduziram a quantidade de complemento alimentar na tentativa de baixar os custos de produção.

Na de Pelotas, as temperaturas elevadas afetaram o bem-estar, o consumo alimentar e a produção de leite, demandando cuidados adicionais relacionados à oferta de sombra, água e ao manejo nutricional. Também foram relatados problemas sanitários pontuais, como aumento da ocorrência de carrapatos e moscas, além de casos de descarte de leite por problemas de qualidade.

Na de Passo Fundo, o rebanho permaneceu com escore corporal acima de 3,5. A alimentação foi baseada em pastagens de verão, silagem e suplementação com concentrados, ajustada às necessidades de cada lote. 

Na de Porto Alegre, a produção está elevada, apesar do estresse térmico em razão das altas temperaturas.

Na de Santa Rosa, a produtividade de leite está estável. As condições ambientais observadas têm favorecido o pastejo rotacionado e para a manutenção da qualidade nutricional da forragem, com adequado aproveitamento das áreas e oferta contínua de alimento aos rebanhos. (Fonte: Emater/RS)

EUA: USDA destina investimentos para impulsionar inovação no setor lácteo

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou o investimento de mais de US$ 11 milhões no apoio a pequenas e médias empresas do setor lácteo, por meio do programa Dairy Business Innovation (DBI). Os recursos são destinados ao desenvolvimento, à comercialização e à distribuição de produtos lácteos, com foco em inovação e no fortalecimento das economias locais e da indústria láctea norte-americana.

Em 2025, os recursos serão alocados de forma não competitiva às quatro iniciativas DBI já existentes, conduzidas pela California State University, Fresno; University of Tennessee; Vermont Agency of Agriculture, Food & Markets; e University of Wisconsin. Essas instituições serão responsáveis por oferecer assistência técnica e subvenções a produtores e empresas do setor em suas respectivas regiões.

Entre as ações previstas estão o apoio ao planejamento de negócios, marketing e construção de marca, além da ampliação do acesso a técnicas inovadoras de produção e processamento. O objetivo é estimular o desenvolvimento de produtos lácteos com maior valor agregado, fortalecer os mercados regionais e ampliar a oferta de produtos ao consumidor.

Parte dos recursos será direcionada à Dairy Business Innovation Alliance (DBIA), iniciativa liderada pela Wisconsin Cheese Makers Association (WCMA) em parceria com o Center for Dairy Research (CDR) da Universidade de Wisconsin. Com o novo repasse, a DBIA poderá receber US$ 3,45 milhões para apoiar atividades de pesquisa e desenvolvimento de produtos, assistência técnica, educação e concessão direta de subsídios a empresas lácteas.

As ações da DBIA abrangem os estados de Illinois, Indiana, Iowa, Kansas, Michigan, Minnesota, Missouri, Nebraska, Ohio, Dakota do Sul e Wisconsin. Desde 2018, o programa já concedeu quase 300 subsídios e ofereceu serviços educacionais e de consultoria a centenas de empresas do setor lácteo. (As informações são do Dairy Herd Management, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint)


Jogo Rápido

BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO No 04/2026 – SEAPI 
Na próxima semana, a atuação de um sistema de alta pressão favorecerá a manutenção do tempo estável em todo o estado do Rio Grande do Sul. Entre quinta-feira (22/01) e domingo (25/01), as condições meteorológicas deverão permanecer predominantemente estáveis, sem a atuação de sistemas capazes de provocar instabilidade significativa. Nesse período, não há previsão de chuva significativa em nenhuma das regiões do estado, e as temperaturas seguirão em elevação gradual ao longo dos dias. O predomínio de céu com poucas nuvens e a ausência de precipitação contribuirão para o aumento progressivo das temperaturas máximas. Entre segunda-feira (26/01) e quarta-feira (28/01), o padrão de tempo estável deverá se manter sobre o Rio Grande do Sul. A continuidade da atuação do sistema de alta pressão favorecerá a intensificação do calor em grande parte do estado. Nos dias 27/01 e 28/01, as temperaturas máximas deverão se aproximar dos 40 °C em diversas regiões, podendo ultrapassar essa marca em algumas localidades. Esse cenário indica a ocorrência de um período de calor intenso, com destaque para o interior do estado. De forma geral, não há previsão de chuva em praticamente todas as regiões e, por conseguinte, os acumulados de precipitação previstos não devem superar os 5 milímetros. (Boletim Agrometerologico/SEAPI)